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Archive for Junho, 2013

Exerto do Conto extremadamente poético – josé luís montero

Aquilino Ribeiro é um dicionário; Começou a Viagem não passa de um livro de falsa viagem. Fumo; mal gasto o tempo a desenhar bolinhas a voar e a esfumar-se. Como; inverto o prazer. Amo; aniquilo o tempo. Apago o cigarro; descalço-me; levanto-me; visto as cuecas. Tenho um amigo que se chama Pascácio; acontece. Volto a fumar; dispo as cuecas. Quero praia; gosto de chuva. Surrealismo por extenso; banha na frigideira. Fialho de Almeida percebeu que a Galiza era um Continente. Eu não sou galego; nasci na Galiza. Tenho um amigo português que é galego; não sabe; pensa que veio de Paris; entrou em Portugal por Vilar Formoso. Amanhã é domingo, hoje é sexta-feira. Está a passar uma carroça cheia de cenouras. Quero estudar Italiano.

Sermão, síntese e sinopse do Surrealismo Saloio depois de uma borracheira com vinho de Silgueiros – josé luís montero

O Surrealismo Saloio é muito sério e declara que o Presidente da República não é palhaço, nem tem azedumes com trabalhar ou não. No entanto, não sabemos se alguma vez sonhou com ser palhaço, nem se mandou o trabalho á fava durante a sua trajetória vital. O Surrealismo Saloio não se preocupa com a vida dos Presidentes; só se interessa pela moda dos Armazéns de Revenda – principalmente pelas ceroulas porque são elementos eróticos de grande calor para os homens que ultrapassaram os quarenta anos –. O Surrealismo Saloio depois de fazer uma sondagem séria, tão séria como as que realizam os partidos políticos, soube que as mulheres exigem cada vez mais homens com ceroulas. O enredar das ceroulas provoca orgasmos múltiplos e arrebita os mamilos. O homem, no entanto, não prefere nada; depois dos quarenta anos ama as garrafas de vinho e o aconchego erótico do sofá. Ler mais…

Poema – josé luís montero

Tenho as costas blindadas pela ventura que leva o errante até Roma.

Adivinho o futuro antes que seja passado

Fumo a ansiedade e esfrego com virulência as unhas nas paredes em decomposição.

Faço quase tudo com os elementos da emoção para que o sentido plástico

Não se manifeste como uma carroça enfeitada por malandrinhos.

Agarro-me ao novo, não esqueço o velho e alento o instante.

Habito, no entanto,

Na alcova da incerteza

Na rua do despropósito

E respeito os telhados que olham para a lua.

Mas

Passado pela peneira do sorriso

Limito-me a escrever as metáforas

Que sendo cristalinas, são opacas.

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Notícias blasfemas do Surrealismo Saloio – josé luís montero

O MUNDO ESTÁ ENCOURADO. NO TEMPO DA FOME O PAPA FALA DA FOME; NO TEMPO DA RIQUEZA FALA SI. DEUS É UMA ESFINGE; SÓ DADÁ É VERDADEIRO. O PRESUNTO É A PERNA DO PORCO; HÁ MAIS PORCOS QUE PORCOS. CAMINHO SOBRE O VINHO; CAMINHAR SOBRE ÀS ÀGUAS É PARA LAVAR OS PÉS. NO PARAGUAI HÁ UMA MULHER QUE TEM AS SAGRADAS MÃOS DO DEMO. ESTOU NU PARA QUE ME VEJAM; SE ME VISTO, OCULTO-ME. DALI PESCOU UMA CENOURA EM CADAQUÉS DEPOIS DE MORTO. O GOVERNO PORTUGUÊS É O INVERSO-REVERSO; APONTA PARA O OLHO CEGO.

PASSO FÉRIAS AO SOL PORQUE O CLUBE DE BILDERBERG ABOLIU A SOMBRA.

josé luís montero

O Conto da Verdade – josé luís montero

Junho 11, 2013 1 comentário

O dominó não era o seu jogo. O barulho dos jogadores, menos; era irritante. Josué, depois de ler os jornais, fugia do Café a sete pés. O seu tempo ou tinha valor ou ocupação. A sua paciência não era gasta no meio dos mortos-vivos.

Sentia-se cansado. A crise dera-lhe cabo do ordenado e não encontrava forma de reconduzir a situação. A filha ultrapassara os vinte anos e estava perto de acabar Direito, mas, não albergava esperanças de colocação. Não era filha de Advogados e não tinha padrinhos no Restelo ou em Alvalade. Infelizmente, os do tempo da outra senhora continuavam a dominar as colocações. O 25 de Abril jazia no charco do lodo e no miradouro das cunhas. Alguns Capitães de Abril apareciam nos jornais a maldizer o Governo, mas, a sua estética pançuda, a sua falacrose e esse sotaque saudosista e heroico desanimava à primeira vista. Ler mais…

A estética dos Armazéns de Revenda, o vinho tinto e o Surrealismo Saloio do livro Começou a Viagem – josé luís montero

Junho 10, 2013 1 comentário

http://zarpante.com/pg/livro-come-202#.UZzvwYfVDzx

http://www.bertrand.pt/ficha/comecou-a-viagem?id=14937668

Começou Viagem é o horrendo. Pertence ao labirinto; claustrofobia; a incerteza do perdido; raiva; apelo constante à Consciência; desespero; fatiga; desfalecimento; instinto de sobrevivência; Começou a Viagem é um livro Humano. Por isso tem flanela e seda. Por isso nasce entre tecidos de ceroulas e xales num Armazém de Revenda. É Surrealismo Saloio. Tem panos de cozinha entre as páginas; batom de loiras dos Cabeleireiros da Baixa Pombalina; peúgas zurzidas; pastéis de nata com salitre do Restelo; camisolas do Benfica; irreverências; referências; sonhos de Dalí; visões de Buñuel. É Livro; tem Ser.

Bebe vinho; emborracha-se com groselha; come salgados; lê o Jorge Sena; compra Enciclopédias; caminha sobre as águas; interioriza Emil Cioran; pratica o jogo da laranjinha; arregaça ideias; ama; aprofunda; é leviano; adormece com o Alberto Caeiro. Ler mais…

Autoentrevista a modo de sermão eufórico sobre o livro Começou a Viagem – josé luís montero

As duas caras comem caracóis numa esplanada de Alfama. Bebem vinho tinto; argumentam a que a cerveja só serve para salpicar os sapatos. A minha cara de parvo está eufórica; teve uma conversa profunda com o livro Começou a Viagem.

 http://zarpante.com/pg/livro-come-202#.UZzvwYfVDzx

http://www.bertrand.pt/ficha/comecou-a-viagem?id=14937668

A minha cara de parvo: Começou a Viagem só quer viajar para o Porto. Passa mais de oito dias de comboio e quando chega se não lhe oferecem uma francesinha, poisam-no ao pé de um prato de entremeada na grelha. Diz que depois de esse poisar não precisa pintar o cabelo, fica logo com manchas.

A minha cara (dês) tapada: ele gosta mais da viagem; desta vez foi sentado ao lado de uma mulher de Cantanhede que era uma brasa e levava com ela um garrafão de vinho da sua adega. Chegou ao Porto com manchas roxas. Teve um grande êxito. Ler mais…