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Archive for Dezembro, 2013

Raymond Kopa: O Deus Francês – josé luís montero ( publicado in BOLA NA REDE)

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Tudo se pode aplastar, menos a genialidade. Raymond Kopa era um menino produto da emigração oriunda da Polónia. Como tantos outros polacos, fora parar à zona mineira. Um trágico acidente nas minas alterou a sua vida. Deixou uma vida que ainda era incipiente e cruel para começar a brincar, a jogar com uma bola. O céu abriu-se e mostrou, orgulhoso, a sua nova estrela. Acabava de nascer aquele que seria chamado Napoleão. Molière, Racine, Corneille desde as suas tumbas perfuraram os seus caixões e o Marquês de Sade alambicou um novo amor louco. O Stade Reims fez-se com os seus serviços. Os campeonatos franceses começaram a cair e o mundo futebolístico começou a vibrar com aquele diminuto jogador, que, vindo do seu próprio meio-campo, superava adversários e sempre inventava um passe mortal. Finalmente, viu como se lhe abriam as portas da Europa. Uma final da taça da Europa marcaria um novo caminho. Saiu derrotado contra Alfredo Di Stéfano, mas, no ano seguinte, estariam juntos na mesma equipa: o Real Madrid.

Não é um sonho; é a linha avançada do Real Madrid

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Luís Suarez, o arquiteto -josé luís montero ( publicado in BOLANAREDE )

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Luís Suarez Miramontes é um patrício da pintora surrealista Maruja Mallo e do destacado membro da Geração do 98 Valle-Inclán. A Galiza dos mistérios e das bruxas é terra de luz e de génios. Luís Suarez nasceu na cidade da Corunha, bem perto do mítico fim do mundo que todos os povos queriam conhecer. Sendo menino, as ruas e os areais viram como um menino espigado fazia com uma bola o que lhe apetecia. Rapidamente, um clube de futebol chamado Fabril, ligado a uma indústria, o enrolou nas suas filas. O grande clube da cidade, Desportivo da Corunha, não demorou muito tempo a querê-lo entre os seus. Cresceu fulgurantemente; um espião do Barcelona começou a namorá-lo. Em 1954, já estava no Barcelona. Chegara a uma equipa cheia de glamour. Ladislao Kubala era a sua estrela mais poderosa. Suarez teve de lutar contra os ciúmes e as estrelas. Finalmente, instalou-se como valor superlativo da equipa. Os títulos e as chamadas à seleção começaram a acontecer.

A Espanha de Luís Suarez: campeã da Europa / Fonte: fichadojogo.wordpress.com

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O passado é teimoso – josé luís montero – ( publicado in tomate emagazine)

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O Presidente da República tem um problema: o passado. Dizem que o carteiro bate sempre duas vezes, mas, o passado é bastante mais teimoso. Rezava o ano de 1987; Portugal era, felizmente, um ex-País colonial. No entanto, África continuava a gritar forte contra o racismo e essa aberração chamada Apartheid. Finalmente a sempre tardia e preguiçosa ONU resolveu olhar para a África do Sul. Os seus cárceres estavam cheios de africanos encandeados só pela condição da raça. A cor da pele marcava privilégios. A ONU resolveu submeter a votação a libertação dos cautivos. Portugal, pela mão e decisão do seu então Chefe do Governo, Aníbal Cavaco Silva, votou contra a sua libertação. Portugal aliou-se com as potências da vergonha: Estados Unidos e Inglaterra.

  A direita e as suas personalidades têm outro problema: não se sabem explicar e quando se explicam a pintura estraga a parede. Recentemente, faleceu o longevo Nelson Mandela, Madiba, e o destino e as suas casualidades provocam um novo encontro entre Cavaco Silva e Madiba. O estrafalário voto de Portugal volta à atualidade, hoje, 26 anos depois da escolha de Cavaco Silva. Os cronistas e a voz sonora das ruas recordam o ato. Cavaco explica sem se explicar porque para esclarecer estragou o fato com lixivia. O seu argumento é tremendamente imperialista e colonialista. A razão da existência de compatriotas num País estranho não justifica a vontade expressa em forma de voto de manter os nativos, espoliados e vexados, em presídio; isso é ocupação e neste caso, ocupação colonial. Se existe risco ou perigo de vida de e para compatriotas, a solução tem um nome: evacuação. Ler mais…

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George Best, o feiticeiro da noite- josé luís montero ( publicado in bolanarede.pt)

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A década de 1960 foi um prodígio de acontecimentos, novidades, mudanças e ruturas. A música floresceu em Liverpool e Woodstock; a poesia viu como a Geração Beat rasgava comportamentos; o futebol sentiu como um irlandês se apoderava de Manchester. George Best arribou para maravilhar e para despedaçar esquemas. O mítico Manchester United, entre a brusquidão de Stilles e a souplesse de Bobby Charlton, contemplou a aparição de um jogador que, para além de arrasar adversários, arrasava as noites entre o prazer de beber e a sedução. O Benfica sentiu nas suas carnes a forma como Best, na final da Taça de Europa de 1968, fazia o 2-1, entrando pela defesa como quem entra por uma casa aberta. O mergulho de José Henriques na sua própria baliza, depois de ser fintado, foi um grito de desespero. Uma das suas famosas frases é o que melhor o define dentro e fora do campo: “gastei muito dinheiro com bebidas, mulheres e carros rápidos. O resto esbanjei-o”.

O seu Manchester United era um clube marcado pela tragédia, tal como o Torino. A maior parte dos seus jogadores perecera no desastre aéreo de Munique. Matt Busby começou a reconstrução, paciente. Bobby Charlton era um sobrevivente. Entorno à sua figura e à de Denis Law foi levantando o grupo onde George Best fantasiou sobre os relvados do mundo. Os campeonatos de Inglaterra começaram a cair e, dez anos depois da Tragédia de Munique, a Taça da Europa rendeu-se e entrou na sala de troféus do Manchester United. Best entrara no novo Olimpo. A sua vida penetrara no corredor da fama e a alta boémia sorria quando sentia a presença do mago da bola. George Best refletiu-se nesta frase: ”já cheguei a parar de beber quando estava a dormir”. Teve um prémio de melhor jogador. Teve, ainda, situações únicas, mas a sua vida começara uma aventura bem diferente. Como tantos outros da década de 1960, deixara-se atrapar pelo sonho infinito e apressurado. As curvas perigosas jamais o abandonariam.

Best e os seus castelos / Fonte: doentesporfutebol.com

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Costa Pereira: Uma Estrela Voadora -josé luís montero ( publicado in BOLA NA REDE )

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Eram outros jogos. Eram outros jogadores. Os clubes conservaram os nomes, mas as vibrações que saltavam desde a relva para o mais longínquo dos espetadores eram diferentes. Na primeira metade da década dos 50 chegou a Lisboa um guarda-redes e um basquetebolista procedente do Ferroviário de Moçambique; as duas vertentes encarnavam numa única pessoa; chamava-se Costa Pereira. Chegara uma das personalidades mais marcantes do desporto e do futebol. O basquetebol do Benfica conheceu, durante os primeiros anos, as qualidades do jogador que mais tarde viraria articulista nos jornais desportivos. O futebol do Benfica viu como um guarda-redes podia ser eficaz e fino nos seus movimentos. Foi campeão tanto como futebolista como como basquetebolista. Não foi caso único; o desporto e a sua prática eram entendidos, ainda, com mentalidade formativa integral e bem olímpica. Acúrcio, também guarda-redes e jogador de hóquei patins do FC do Porto, era outro dos desportistas integrais. No entanto, poucos anos antes e mais alguns anos, o Sporting vivera a sua época mais esplendorosa de sempre: o Sporting dos cinco violinos. Tinha jogadores mágicos e tinha um extremo-direito chamado Jesus Correia; este bom atleta foi campeão em hóquei patins e em futebol. Mas, antes do Sporting ter o veloz e dinâmico Jesus Correia, o Benfica tivera, nas suas filas, um dos seus grandes mitos: Espírito Santo. O atletismo e o futebol desfrutaram deste fino estilista.

O sorriso de uma estrela Fonte: http://delagoabay.wordpress.com/

O sorriso de uma estrela
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No cimo habita o anódino – josé luís montero ( publicado in Etc e Tal)

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Escrever sobre a vida pode ser um ato de strip-tease emocional, no entanto, escrever sobre a política, os políticos e outros agentes colaterais pode ser um pesadelo onde acabas aos gritos e a cair da cama. Pode ser um pesadelo tremendamente Pânico. Talvez, nem o próprio Fernando Arrabal conseguiria chegar tão além no delírio imaginativo e criativo. Quando pisamos as calçadas e falamos ou ouvimos comentários dos que estão no cimo; dos que mandam; dos que possuem fortunas e poderes de influência dizemos ou ouvimos, mais ou menos, frases feitas que transmitem bruma, mas, também podemos falar da mesma forma do vizinho ou do conhecido antipático. Ler mais…