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Archive for the ‘Contos’ Category

O Conto da Verdade – josé luís montero

Junho 11, 2013 1 comentário

O dominó não era o seu jogo. O barulho dos jogadores, menos; era irritante. Josué, depois de ler os jornais, fugia do Café a sete pés. O seu tempo ou tinha valor ou ocupação. A sua paciência não era gasta no meio dos mortos-vivos.

Sentia-se cansado. A crise dera-lhe cabo do ordenado e não encontrava forma de reconduzir a situação. A filha ultrapassara os vinte anos e estava perto de acabar Direito, mas, não albergava esperanças de colocação. Não era filha de Advogados e não tinha padrinhos no Restelo ou em Alvalade. Infelizmente, os do tempo da outra senhora continuavam a dominar as colocações. O 25 de Abril jazia no charco do lodo e no miradouro das cunhas. Alguns Capitães de Abril apareciam nos jornais a maldizer o Governo, mas, a sua estética pançuda, a sua falacrose e esse sotaque saudosista e heroico desanimava à primeira vista. Ler mais…

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O Conto do espia – josé luís montero

Junho 4, 2013 1 comentário

O Zé Bento era espia. Era conhecido como o bufo da aldeia, mas, era de família de missa diária e dinheiro arregaçado em heranças ou negócios familiares, por isso, nunca se poderia considerar bufo, mas, sim espia. Vivia em estado de paranoia perene. Temia que alguma das suas vítimas voltasse à aldeia para o perfurar com meia-dúzia de balas. Não vivia. Sobrevivia aconchegado pelos irmãos; eram pessoas sem preparação; cresceram a pensar que a sua condição de ricos de aldeia os alheava de pensar. O medo transformara-os; eram pássaros desasados. Ler mais…

O Conto do Palerma – josé luís montero

Junho 2, 2013 1 comentário

O Palerma tinha a vida entregue. Morava num terceiro andar da rua Gáveas entre um polícia e uma puta de rua. A puta fazia-lhe uma caridade semanal e o polícia arrecadava-lhe duzentos euros mensais por acompanha-lo nos seus passeios. A comida era-lhe servida pela vizinha do rés – do- chão; uma minhota de Monção que trabalhava onde a aceitavam. Uma prima longínqua fazia-lhe as contas e levava-o a sua casa pelo Natal. Era feliz. Ler mais…