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Posts Tagged ‘25 de abril’

O Conto da Verdade – josé luís montero

Junho 11, 2013 1 comentário

O dominó não era o seu jogo. O barulho dos jogadores, menos; era irritante. Josué, depois de ler os jornais, fugia do Café a sete pés. O seu tempo ou tinha valor ou ocupação. A sua paciência não era gasta no meio dos mortos-vivos.

Sentia-se cansado. A crise dera-lhe cabo do ordenado e não encontrava forma de reconduzir a situação. A filha ultrapassara os vinte anos e estava perto de acabar Direito, mas, não albergava esperanças de colocação. Não era filha de Advogados e não tinha padrinhos no Restelo ou em Alvalade. Infelizmente, os do tempo da outra senhora continuavam a dominar as colocações. O 25 de Abril jazia no charco do lodo e no miradouro das cunhas. Alguns Capitães de Abril apareciam nos jornais a maldizer o Governo, mas, a sua estética pançuda, a sua falacrose e esse sotaque saudosista e heroico desanimava à primeira vista. Ler mais…

O 15 DE OUTUBRO BATE À PORTA José luís montero

Está tudo sério. As caras perderam o sorriso. O dia 15 bate à porta. Escritores de diferentes latitudes mostram o seu apoio à causa da Indignação. As pessoas começam a arregaçar as mangas e a enjeitar os colarinhos. Escolhem calçado; plasmam nos cartazes as suas verdades. Ninguém será capaz de travar este Movimento global; ninguém olhará para um governante sem sentir náuseas. O Povo sabe o que quer e o que não quer e expressa-o onde entende que o deve expressar: na rua. De todos os escritores fico com as palavras, como expressão do desejo colectivo, do escritor uruguaio Eduardo Galeano autor de Memórias do Fogo: “Oxalá estejamos todos, no dia 15 de Outubro, celebrando o sagrado direito à indignação. Que é a prova de que estamos verdadeiramente vivos e de que somos dignos”. Ler mais…

OS POETAS DAS PAREDES por José luís montero

Não se pode escrever por rotina. Nada nesta vida se pode fazer por rotina. Se o fazemos entramos no conhecido tédio. Por isso mesmo sempre considerei os escritores de paredes os mais geniais e os mais realizados. Quem logrou com uma frase como “as putas ao Poder que os filhos já lá estão” transmitir tanta sensação colectiva e tanta consciência? Ninguém. Quem a escreveu? Não se sabe. Possivelmente, foi um jovem ou alguém menos jovem que se indignou com a castração de utopias que vieram no pos-25 de Abril. Talvez tenha sido alguém que vislumbrou o que aconteceria; alguém que viu que Portugal voltaria a ser sugado e mamado pelas famílias económicas e políticas de sempre. Alguém que sentiu a fraude nas suas entranhas. Ler mais…