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Posts Tagged ‘Deus’

Exerto do Conto extremadamente Poético – josé luís montero

Do avesso; virado para o cu do espelho. A escrever poesias para o céu. Sentado com o olhar no horizonte das cuecas de uma mulher sem freios. Prosando rimas impossíveis. Arregaçando as mangas; a sonhar com uma estátua à porta do cemitério. A comer hortaliças dia e noite para fugir à morte. A desconhecer o sentido da morte sem viver a Vida. Enfardando a Alma com panos de Cachemira. A repousar a leitura de todos os poetas loucos abraçado ao orgasmo. Negando a negação da verdade. A sentir o impossível. Clamando pela revolução dos despavoridos. A rir-me das cloacas dos Estados. Desejando a Mulher. A caminhar pelas ruas da Lua. Apontando as coxas impossíveis. Arrastando o desejo para debaixo da cama. Pensando no mito de Deus ao ver a cara de um foragido. A pregar pregos nas nuvens. Queimando toda a Poesia feita.

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PALAVRAS GROSSAS por José luís montero

Palavra de rei em aposento plebeu. Boatos pequenos em alcova senhorial. Palavras grossas em reunião de museu. Orgia política-financeira em Portugal. Eis o que se vive; eis o que se come, eis a realidade. A Pérola do Atlântico languidesce pelos buracos de um cacique qualquer. Ninguém fala no vinho da madeira ou do peixe-espada grelhado; fala-se do enterrado-vivo em mausoléus estranhos da política. Fala-se da enorme manta que tapava ou ocultava o dinheiro público na Madeira. É pena. Mas, o Estado sabia. Souberam do cofre-terra da madeira Presidentes; juízes; camponeses de gola alta; despachantes de botim e bengala; clones do panorama português. É pena, mas, o sistema está corrupto. O Poder exerce de Poder e não é observável; não é inspeccionável. Entretanto, fumo para que o fumo do meu cigarro me esconda dos buracos. Não quero torcer um pé.

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DEUS NÃO SE PORTA BEM por josé luís montero

Os dias deveriam chamar-se todos: ontem. Dessa forma nunca falaríamos do presente e evitaríamos muitos aborrecimentos. Não estaríamos a falar dos sonsos que estão nos governos, nem nos preocuparia a taxa eléctrica. Estaria tudo pago. Os preços sempre seriam antigos e a vida muito mais barata. A crise nunca teria acontecido e nem o mesmíssimo Benfica seria bicampeão europeu no tempo em que o futebol ainda era futebol. Nem sequer estaríamos na época de Adão e Eva e o fantasma de Deus nunca nos mandaria tapar as vergonhas. Ainda que eu nunca me consegui envergonhar do meu sexo. Talvez seja pela falta de vergonha que comecei a duvidar da existência de Deus e mais tarde, a nega-la completamente. Quem mandou a Deus inventar a vergonha? Cada vez estou mais convencido que não era muito inteligente, nem lera, sequer, as Selecções Reader`s Digest. A vergonha não é mais que o fruto – não da maçã de Eva – da incultura divina. E por culpa dele vivemos no presente e temos que levar com esta crise que é mais que uma crise: é a grande teta por onde chupam os poderosos. Ler mais…