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Poema – josé luís montero

Tenho as costas blindadas pela ventura que leva o errante até Roma.

Adivinho o futuro antes que seja passado

Fumo a ansiedade e esfrego com virulência as unhas nas paredes em decomposição.

Faço quase tudo com os elementos da emoção para que o sentido plástico

Não se manifeste como uma carroça enfeitada por malandrinhos.

Agarro-me ao novo, não esqueço o velho e alento o instante.

Habito, no entanto,

Na alcova da incerteza

Na rua do despropósito

E respeito os telhados que olham para a lua.

Mas

Passado pela peneira do sorriso

Limito-me a escrever as metáforas

Que sendo cristalinas, são opacas.

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Exerto do Conto extremadamente Poético – josé luís montero

Do avesso; virado para o cu do espelho. A escrever poesias para o céu. Sentado com o olhar no horizonte das cuecas de uma mulher sem freios. Prosando rimas impossíveis. Arregaçando as mangas; a sonhar com uma estátua à porta do cemitério. A comer hortaliças dia e noite para fugir à morte. A desconhecer o sentido da morte sem viver a Vida. Enfardando a Alma com panos de Cachemira. A repousar a leitura de todos os poetas loucos abraçado ao orgasmo. Negando a negação da verdade. A sentir o impossível. Clamando pela revolução dos despavoridos. A rir-me das cloacas dos Estados. Desejando a Mulher. A caminhar pelas ruas da Lua. Apontando as coxas impossíveis. Arrastando o desejo para debaixo da cama. Pensando no mito de Deus ao ver a cara de um foragido. A pregar pregos nas nuvens. Queimando toda a Poesia feita.

CAMINHO DO FUTURO por José luís montero

O primeiro passo caminho da greve geral planetária necessária foi consistente. Os jornais de meio mundo destacam o acontecimento. Minimizam as contas, mas, as fotografias não enganam. O Povo sem medo falou claro; foi rotundo; expressivo; hoje, deus foi ateu e contestatário. O cheiro a cravos passeou de continente a continente sem esgrimir bandeiras; raças ou credos. A greve planetária que se avizinha ganhou consistência; solidificou. O salário mínimo em Portugal, desde 1974, subiu 88 euros. A classe empresarial – Estado incluído como principal patrão do país e dos países – pode vestir outro fato porque o custo da mão-de-obra não é argumento verdadeiro. Dizia um poeta espanhol, António Machado, “caminhante não há caminho/ faz-se o caminho ao andar./ “ E o Povo sem raças, nem fronteiras caminha; está a fazer o caminho. Ler mais…