Arquivo

Posts Tagged ‘Paris’

Exerto do Conto extremadamente poético – josé luís montero

Aquilino Ribeiro é um dicionário; Começou a Viagem não passa de um livro de falsa viagem. Fumo; mal gasto o tempo a desenhar bolinhas a voar e a esfumar-se. Como; inverto o prazer. Amo; aniquilo o tempo. Apago o cigarro; descalço-me; levanto-me; visto as cuecas. Tenho um amigo que se chama Pascácio; acontece. Volto a fumar; dispo as cuecas. Quero praia; gosto de chuva. Surrealismo por extenso; banha na frigideira. Fialho de Almeida percebeu que a Galiza era um Continente. Eu não sou galego; nasci na Galiza. Tenho um amigo português que é galego; não sabe; pensa que veio de Paris; entrou em Portugal por Vilar Formoso. Amanhã é domingo, hoje é sexta-feira. Está a passar uma carroça cheia de cenouras. Quero estudar Italiano.

AMADEU DE SOUSA CARDOSO UM PORTUGUÊS NA VANGUARDA DA TELA – teresa lopes marecos –

Categorias:Arte Etiquetas:, ,

Amor, Liberdade, Poesia – Entrevista a Mário Cesariny de Vasconcelos – ÓSCAR FARIA

Entrevista ÓSCAR FARIA

Sábado, 19 de Janeiro, 2002- Mil Folhas –

_______X_________

Cesariny é um sedutor. Cesariny é um danado. O maravilhoso surreal intensamente livre. Conversa acontecida na inauguração da exposição “Do Surrealismo em Portugal”.

Cesariny (n. 9/8/1923) gosta de posar. E de fumar. Muito. Cesariny tem o dom das palavras. Às vezes basta-lhe uma linha para construir um mundo: “Ama como a estrada começa”. Outras, esse encantamento suscita contínuos estremecimentos: “longe dos jogos civilizados/ livres da hora da mãe e da filha/ jogamos fumo para uma bilha/ jogamos o pocker o king a vrilha/ jogamos tudo como danados”. O maravilhoso surreal, ainda vivo, ainda intensamente livre atravessa uma conversa acontecida na inauguração da polémica exposição “Do Surrelismo em Portugal”, que esteve patente na Fundação Cupertino de Miranda, em Vila Nova de Famalicão. Fala-se aqui de ditadura, de revolução e da dificuldade em cumprir o programa surrealista: “liberdade, amor e poesia”. Também se recordam António Maria Lisboa e Pedro Oom, Vieira da Silva e Pascoaes: “Não tenho nada contra o Pessoa, mas para mim o Pascoaes é o velho da montanha, é o mágico”. Cesariny é um sedutor. Cesariny é um danado.

MIL FOLHAS – A revolução é um dos objectivos essenciais do movimento surrealista. Como é que viveu o 25 de Abril de 1974?

MÁRIO CESARINY – Nós estávamos muito mal vistos pelo Salazar e pelos marxistas; tínhamos dois inimigos. Há uma carta do António Dacosta, que está em minha casa – não sei onde, espero que apareça – em que me conta a ida para Paris, em 1947, onde frequenta as reuniões do grupo surrealista com o André Breton e o Benjamin Péret. Eu sei que dizer isto pode parecer esquisito, mas acho que devo dizer: ele começa a explicar ao Péret o que se passa em Portugal – “Há o anti-fascismo, claro, mas ao mesmo tempo não podemos acusar ou denunciar os estalinistas por causa do fascismo imperante e porque o Salazar prende os comunistas todos”. Péret, que sabia bem o que se passava em todo o mundo, disse assim: “Ai o Salazar prende os comunistas, pois faz o Salazar muito bem”. Esta anedota é complicada, o que se subentende disto tudo, mas agora subentendam o que quiserem. Ler mais…