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Posts Tagged ‘PCP’

PORTUGAL NÃO PODE ESPERAR josé luís montero

Há cansaço e apatia ou as duas coisas separadamente ou vice-versa. Comparando, a Grécia, já tinha no corpo umas quatro ou cinco greves gerais; Portugal, ainda caminha para a primeira.  Em primeiro lugar, quem fica em evidência por esta passividade anódina são os chamados grupos de esquerda tipo PS, PCP e BE. Implica descredito deste tipo de organizações relacionadas com o Movimento Operário e mostra, claramente, que estão instaladas na dolce far niente. Instalados na vida parlamentar cómoda e afastada das premências e interesses dos desfavorecidos; segundo a tendência, vão trabalhando a imagem com declarações aos mass media e mantêm-se longe do burburinho arruaceiro onde os cidadãos se manifestam e conquistam os seus direitos. No entanto, de certa forma, o cidadão respondeu à esclerose partidária com auto-organização e tem mostrado a sua indignação, mas, a famosa acção directa, num caso como o que percorre Europa e o mundo, se é intermitente, perde o efeito. Ler mais…

A CRISE E O PIMM, PLIM; PLOC… José luís montero

Sinto a torneira a pingar. Está longe; fica ao dobrar o corredor à mão direita. O silêncio nocturno realça o pormenor: ploc; ploc; pimm, plim; ploc… Parece a tróica a confeccionar medidas anticrise para Portugal. Parece o Passos Coelho a chatear os funcionários. Parece o Miguel Relvas reunido com os assessores. Parece o Obama a comer sapos no Senado. Parece a Merkel a mandar trabalhar sem contrato laboral legível. Parece o Paulo Portas a comprar submarinos. Parece o Alberto João Jardim a esconder buracos. Parece o PSD a comer laranjas. Parece o PCP a falar de democracia. Parece o Sócrates a ver-se ao espelho. Parece o Durão Barroso a passar-lhe o testemunho ao Santana Lopes. Parece o Louçã a explicar a depressão pós-eleitoral. Parece o Cavaco Silva a dizer que é pobre. Parece a crise. Ler mais…

Amor, Liberdade, Poesia – Entrevista a Mário Cesariny de Vasconcelos – ÓSCAR FARIA

Entrevista ÓSCAR FARIA

Sábado, 19 de Janeiro, 2002- Mil Folhas –

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Cesariny é um sedutor. Cesariny é um danado. O maravilhoso surreal intensamente livre. Conversa acontecida na inauguração da exposição “Do Surrealismo em Portugal”.

Cesariny (n. 9/8/1923) gosta de posar. E de fumar. Muito. Cesariny tem o dom das palavras. Às vezes basta-lhe uma linha para construir um mundo: “Ama como a estrada começa”. Outras, esse encantamento suscita contínuos estremecimentos: “longe dos jogos civilizados/ livres da hora da mãe e da filha/ jogamos fumo para uma bilha/ jogamos o pocker o king a vrilha/ jogamos tudo como danados”. O maravilhoso surreal, ainda vivo, ainda intensamente livre atravessa uma conversa acontecida na inauguração da polémica exposição “Do Surrelismo em Portugal”, que esteve patente na Fundação Cupertino de Miranda, em Vila Nova de Famalicão. Fala-se aqui de ditadura, de revolução e da dificuldade em cumprir o programa surrealista: “liberdade, amor e poesia”. Também se recordam António Maria Lisboa e Pedro Oom, Vieira da Silva e Pascoaes: “Não tenho nada contra o Pessoa, mas para mim o Pascoaes é o velho da montanha, é o mágico”. Cesariny é um sedutor. Cesariny é um danado.

MIL FOLHAS – A revolução é um dos objectivos essenciais do movimento surrealista. Como é que viveu o 25 de Abril de 1974?

MÁRIO CESARINY – Nós estávamos muito mal vistos pelo Salazar e pelos marxistas; tínhamos dois inimigos. Há uma carta do António Dacosta, que está em minha casa – não sei onde, espero que apareça – em que me conta a ida para Paris, em 1947, onde frequenta as reuniões do grupo surrealista com o André Breton e o Benjamin Péret. Eu sei que dizer isto pode parecer esquisito, mas acho que devo dizer: ele começa a explicar ao Péret o que se passa em Portugal – “Há o anti-fascismo, claro, mas ao mesmo tempo não podemos acusar ou denunciar os estalinistas por causa do fascismo imperante e porque o Salazar prende os comunistas todos”. Péret, que sabia bem o que se passava em todo o mundo, disse assim: “Ai o Salazar prende os comunistas, pois faz o Salazar muito bem”. Esta anedota é complicada, o que se subentende disto tudo, mas agora subentendam o que quiserem. Ler mais…