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Poema – josé luís montero

Tenho as costas blindadas pela ventura que leva o errante até Roma.

Adivinho o futuro antes que seja passado

Fumo a ansiedade e esfrego com virulência as unhas nas paredes em decomposição.

Faço quase tudo com os elementos da emoção para que o sentido plástico

Não se manifeste como uma carroça enfeitada por malandrinhos.

Agarro-me ao novo, não esqueço o velho e alento o instante.

Habito, no entanto,

Na alcova da incerteza

Na rua do despropósito

E respeito os telhados que olham para a lua.

Mas

Passado pela peneira do sorriso

Limito-me a escrever as metáforas

Que sendo cristalinas, são opacas.

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Exerto do Conto extremadamente Poético – josé luís montero

Tresanda. O cheiro invade as pupilas do morgado. O marialva espojou-se entre dádivas celestiais e palha apodrecida da vacaria. Neófitas no amor; veteranas no palheiro regougam misérias nas ventas do mamífero selado. Apimentam-se na eira da animalidade. Renomeiam. Inferem. Estrumam a alma do morgado; chicoteiam a carne. Desfazem o senhorio. Aprincesam-se. Redopiam a altivez. Estrangalham o berço de seda. Matam o morgado.

josé luís montero

Poema sem nome – josé luís montero

A Gula doce prazer; bendito pecado. Viver; comer; gozar. Dolce Vita. Bananas sexuais. Viver; gozar; fornicar. Pecar; sentir; amar.

Sonhar; desejar; copular. Tocar; penetrar; medrar. Contrariar a Moral. Comer; enfartar; amar. Gula; Luxuria benditos atos; benditas sensações.

Prisciliano; amar; viver no comum. Dormir ao léu; sonhar. Aprofundar.

Vinho; rock and roll; lençóis frescos; gritos na Lua. Perna de javali no beiço. Poema; Poesia; tesoura rasgadora.

josé luís montero