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Posts Tagged ‘República’

Entrevista de Otelo Saraiva de Carvalho, comandante do COPCON na altura em que se deu o Caso República.

O 15 DE OUTUBRO BATE À PORTA José luís montero

Está tudo sério. As caras perderam o sorriso. O dia 15 bate à porta. Escritores de diferentes latitudes mostram o seu apoio à causa da Indignação. As pessoas começam a arregaçar as mangas e a enjeitar os colarinhos. Escolhem calçado; plasmam nos cartazes as suas verdades. Ninguém será capaz de travar este Movimento global; ninguém olhará para um governante sem sentir náuseas. O Povo sabe o que quer e o que não quer e expressa-o onde entende que o deve expressar: na rua. De todos os escritores fico com as palavras, como expressão do desejo colectivo, do escritor uruguaio Eduardo Galeano autor de Memórias do Fogo: “Oxalá estejamos todos, no dia 15 de Outubro, celebrando o sagrado direito à indignação. Que é a prova de que estamos verdadeiramente vivos e de que somos dignos”. Ler mais…

PALAVRAS GROSSAS por José luís montero

Palavra de rei em aposento plebeu. Boatos pequenos em alcova senhorial. Palavras grossas em reunião de museu. Orgia política-financeira em Portugal. Eis o que se vive; eis o que se come, eis a realidade. A Pérola do Atlântico languidesce pelos buracos de um cacique qualquer. Ninguém fala no vinho da madeira ou do peixe-espada grelhado; fala-se do enterrado-vivo em mausoléus estranhos da política. Fala-se da enorme manta que tapava ou ocultava o dinheiro público na Madeira. É pena. Mas, o Estado sabia. Souberam do cofre-terra da madeira Presidentes; juízes; camponeses de gola alta; despachantes de botim e bengala; clones do panorama português. É pena, mas, o sistema está corrupto. O Poder exerce de Poder e não é observável; não é inspeccionável. Entretanto, fumo para que o fumo do meu cigarro me esconda dos buracos. Não quero torcer um pé.

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FOI DIA DA REPÚBLICA por José luís montero

 

Foi o dia da República. O actual Presidente – homem sem cultura republicana – não sei o que disse; parece-me que falou em mudar de vida. Pode dizer o que lhe apeteça porque a República aceita tudo. Mas, o que diga ou não diga um Presidente não me interessa. Normalmente estes actos servem para mostrar fato novo e fazer muitas fotografias. Neste dia só me vem à memória um homem e muitos homens da famosa arraia-miúda, carbonários, anarquistas possibilistas que desencadearam o fim da monarquia dos Braganças; o fim dos especialistas cinegéticos. Mas, penso no Manuel dos Reis da Silva Buiça. Penso numa frase do seu testamento que marca as diferenças entre o ontem e o hoje. Simboliza aquela arraia-miúda que se barricou contra o absurdo e mudou a face de Portugal. A certa altura o Buiça diz no seu testamento:” Meus filhos ficam pobrissimos; não tenho nada que lhes legar senão o meu nome e o respeito e compaixão pelos que soffrem. Peço que os eduquem nos principios da liberdade, egualdade e fraternidade que eu commungo e por causa dos quaes ficarão, porventura, em breve, orphãos. “ Esta declaração marca um contraste enorme entre o ontem e o hoje.  Ler mais…

OS POETAS DAS PAREDES por José luís montero

Não se pode escrever por rotina. Nada nesta vida se pode fazer por rotina. Se o fazemos entramos no conhecido tédio. Por isso mesmo sempre considerei os escritores de paredes os mais geniais e os mais realizados. Quem logrou com uma frase como “as putas ao Poder que os filhos já lá estão” transmitir tanta sensação colectiva e tanta consciência? Ninguém. Quem a escreveu? Não se sabe. Possivelmente, foi um jovem ou alguém menos jovem que se indignou com a castração de utopias que vieram no pos-25 de Abril. Talvez tenha sido alguém que vislumbrou o que aconteceria; alguém que viu que Portugal voltaria a ser sugado e mamado pelas famílias económicas e políticas de sempre. Alguém que sentiu a fraude nas suas entranhas. Ler mais…